Política
Populismo - o conceito volta à circular nos meios de comunicação, redes sociais e média e grande imprensa. Estão denominando "o populismo de direita", referindo-se a candidatos reacionários que perdem eleições nos países europeus. Espero que as forças progressistas brasileiras, à chamada esquerda, não caiam no conto desses pseudo-intelectuais. O conceito de populismo sempre se voltou contra os partidos e políticos que incluíram a maioria menos favorecida deste país, que defenderam a presença do Estado na economia como forma de participação das classes médias vinculadas ao povo. Como escreveu Nelson Werneck Sodré, um conceito a ser arquivado.
Contribuir com informações, sugestões, ferramentas e debates para a construção de uma escola do pré a posgraduação adequadas a dignidade humana e do povo brasileiro.
domingo, 4 de dezembro de 2016
domingo, 13 de novembro de 2016
Proclamação da República: lembranças da proclamação ao golpe de 31 de agosto de 2016
Esboço
para aula sobre 15 de novembro:
a
proclamação da República em tempos de golpe parlamentar
PRELIMINARES:
1. Professor,
evite aquelas aulas debochas onde se pratica o escrachamento dos personagens
históricos como essa prática imbecil e vergonhosa fosse uma “aula crítica”. O
pior é se você fizer isso sem ter estudado, pesquisado, rascunhado, buscado
boas fontes ou se fundamentado apenas num único livro e didático ainda.
2. O Professor
de História deve ser exemplo de vida, de leitura, de consulta, de seriedade nas
aulas que ministra. Mostre aos seus alunos que você consulta fontes, está
atento à historiografia da República, que não é um professor linguarudo.
Mencione os livros que consultou.
3. Minha
sugestão para preparar uma boa aula sobre a História da República:
Introdução
à revolução brasileira – Nelson Werneck Sodré – há um capítulo bem
resumido e claro.
O que se
deve ler para conhecer o Brasil – Nelson Werneck Sodré – capítulo sobre
o asssunto apenas.
História
Nova do Brasil – volume 4 – Joel Rufino e outros
História
do Brasil – Renato Mocelin
Esquema da aula
I. A
República no mapa cronológico da nossa história:
1500 –
chegada dos europeus e tomada das terras dos indígenas
1822 –
divisão do reino português em 2 (Brasil e Portugal) entre membros da família de
Bragança. A denominada “Independência do Brasil” no dia 7 de setembro.
1888 –
Abolição da Escravatura no Império do Brasil pela Princesa Isabel.
1889 –
Proclamação da República na cidade do Rio de Janeiro, pelo Marechal Deodoro da
Fonseca.
II.
Interpretações sobre a proclamação da República: por que caiu o Império?
A proclamação
da República foi um golpe militar:
a) Aristides
Lobo: o povo assistiu a quartelada “bestializado”. Consultar o historiador José
Murilo de Carvalho;
b) Marechal
Deodoro era monarquista e queria apenas derrubar o Gabinete do Primeiro
Ministro;
c) O Império era
democrático e a população aprovava o governo de Dom Pedro II, embora tivesse
receios com relação à sua sucessão.
d) Este é o
ponto de vista dos estudiosos simpáticos à Monarquia e atuam em nossos dias.
e) Acreditam que
a queda do Império se deveu as famosas questões militares, escravagista e
eclesiástica.
A proclamação
da República foi a concretização da vontade popular
a) Os
brasileiros muito antes da proclamação da República manifestavam seu desejo de
tê-la como forma de governo. As revoluções durante a regência e no Império
atestam isto. Cabanagem, Inconfidência Mineira, Praieira, Farroupilha.
b) O Exército
apenas captou este sentimento popular e deu expressão pública.
c) Consultar
Nelson Werneck Sodré, especialmente seu livro “A república”.
d) Defendem a
tese de que a República seria inevitável diante do acelerado processo de
capitalização mundial, o Brasil e seu velho modelo não combinavam mais com o
progresso tecnológico, as novas exigências na esfera do trabalho e das novas
relações dele advindas. O Brasil estava sendo inserido nas mudanças econômicas,
políticas e sociais que varriam a Europa e a América do Norte.
III. O que
seria a República?
1. Sociedade
democrática e cidadã: (a) onde não haveria distinção entre classes
(escravos x senhores). (b) onde todos teriam direito ao voto sem distinção
financeira. Lembremos que a República deixou os analfabetos (até 1988) e as
mulheres (até 1930) fora do voto. (c) onde não houvesse distinção entre as
pessoas (a família real possuia imunidade).
2. Sociedade
laica. Sem religião oficial. Sem privilégios para a religião oficial. Até
em nossos dias as monarquias variam da teocracia para as de religião oficial
seja ela católica (Espanha), anglicana (Inglaterra) ou Luterana (Suécia),
exemplos apenas.
3. Sociedades
com relações trabalhistas remuneradas. Introduziu-se no Brasil o trabalho
assalariado. Vale registrar como eram as condições de trabalho, a jornada e a
remuneração na primeira fase da República (1889-1930). Permaneceu a jornada
acima de 10 horas diárias, trabalho feminino com baixa remuneração e o trabalho
infantil. Disso resultaram os movimentos sociais de 1920 influenciados pela
revolução soviética. A conquista de Direitos tem sido uma constante luta dos
trabalhadores, tentando sempre podem, as elites políticas reduzí-los, negar ou
não cumprí-los como assistimos no ano 2016 com o governo golpista de Michel
Temer e parlamentares corruptos.
4. A inserção
do Brasil no programa econômico mundial, o capitalismo através do processo
acelerado de industrialização vigente no continente Europeu e nos Estados
Unidos. A economia brasileira era voltada exclusivamente para a produção
respaldada na agricultura. O importante aqui era a terra, o latifúndio. Como
escreveu, Alberto Passos Guimarães, foram 4 séculos de latifúndio.
Aniquilada,
formalmente, a prática da escravidão precisaria se firmar o trabalho
assalariado, para o qual o Brasil ainda não possuia grande estrutura e orientação
segura. A resistência à industrialização será marca de parte da burguesia
brasileira atrelada à terra e só será vencida pela Revolução Nacional
Democrática em 1930.
IV. Etapas da
República ou Revolução Burguesa no Brasil
1889-1894 –
Consolidação do regime republicano. Pode-se estudar seus presidentes no
conjunto ou separadamente. Tentativa de golpe restaurador da Monarquia
pela Marinha gaúcha, através de Gumercindo Saraiva.
1894-1929 –
República Velha, Oligárquica ou do Café com leite. O presidente marcante da
época, Campos Salles. As elites federais, sediadas na capital da República (Rio
de Janeiro) se articulavam de modo a favorecer suas secções nos Estados.
Governo do latifúndio, inflação, desemprego, atraso tecnológico, políticas
sociais como caso de polícia, repressão às reivindicações populares. Há um “semi-golpe
parlamentar” dado por Campos Salles para selar o domínio das
oligarquias paulistas no governo.
1930-1964 –
Era Vargas: Revolução Nacional Democrática – Revolução Brasileira. Constituição da Nação Brasileira, do Estado
Brasileiro. Processo acelerado de industrialização. Intensos debates sobre o
nacionalismo econômico, político e cultural. Generalizado movimento social de
massas em defesa da nacionalização do petróleo e das reformas de base. Pautas:
reforma agrária, fiscal, universitária e urbana. Várias tentativas de golpe
antinacionais, anti-trabalhistas, antissociais: 1944 pelos generais para
destituir Vargas; 1954 para impetimar Vargas novamente; 1955 para impedir a
posse de Jucelino Kubitschek; 1961 golpe com Jânio Quadros; 1963 golpe do
parlamentarismo para impedir as reformas de base; 1964 civil-militar para
impedir avanço das forças sociais em defesa da ampliação da democratização
plena da sociedade brasileira. Foi um golpe de natureza anti-naciona,
anti-democrático e anti-popular. A influência do ISEB e de Paulo Freire na
Educação e na Política Brasileira.
1964-1985 –
Parentese autoritário: golpe civil militar. Inflação galopante. Desemprego.
Perseguição política. Terrorismo cultural. Época dos atos institucionais.
Política pautada no fascismo e no nazismo. Processo de profunda alienação dos
professores, políticos e da população. Ideologia do anti-comunismo.
Assassinatos. Polícia Política. Desaparecimentos. Exílios. AI-5 em 13 de
dezembro de 1968. Resistência popular e sindical. Atuação da Igreja
Progressista. UNE revolucionária. Desmonte das universidades e instituições de
pesquisa. Doutrinação ideológica nas escolas públicas e privadas. Censura nos
meios de comunicação.
1986-2016 –
Nova República – luta entre neoliberalismo e trabalhismo.
(a) Eleição
indireta para presidência. Misteriosa morte de Tancredo. Não realização de
novas eleições. Plano Cruzado. Fiscais do Sarney. Transição nas “boas mãos do
conservadorismo”.
(b) Introdução
do neoliberalismo na Economia e na Política. Governo Collor. Impedimento do
Presidente. Escândalos. Collor será absorvido décadas depois. Confisco da
poupança. Golpe parlamentar e reacionário dentro da própria direita.
Semelhanças com o Governo Jânio Quadros. Geração dos “cara pintadas”. Congresso
da UNE e o Fora Collor. Revolução educacional feita no Governo Brizola no Rio
de Janeiro. Darcy Ribeiro. Governo FHC. Privataria tucana. Desnacionalização.
Tentativa de aniquilamento do ideário Varguista. Resistência. Falsa sensação de
estabilidade econômica.
(c) Ascenção das
camadas populares e do sindicalismo ao Poder. Eleição de Lula e Dilma Rousseff.
Programas de resgate social e acesso à cidadania. Programas de bolsas, família,
escola, pós-graduação. Não cessaram os programas neoliberais de privatizações.
Alianças com a burguesia na política econômica e nas reformas. Reforma agrária
com lentidão. Políticas públicas para com a saúde e envolvendo especialmente o
Nordeste brasileiro. Programa “Mais médicos”. Forte oposição da burguesia e da
Ofensiva Reacionária. Parlamento majoritariamente de Direita começa bloquear a
pauta do Governo. A carta do golpe: churumelas de Michel Temer vazam nas redes
sociais. Fascistização da sociedade brasileira nos campos da psicologia
coletiva, judiciário, mídia e partidos.
Perseguição ao PT, travestida de luta contra o comunismo, usando a
figura do juiz federal de primeira instância Sérgio Fernando, filho do fundador
da UDN em Maringá. Manipulação do mensalão e da Lava Jato em benefício das
forças retrógradas do país, respaldadas no domínio absoluto que a religião
fundamentalista e as empresas anti-nacionais de comunicação possuem. Campanha
difamatória, mentirosa, orquestrada por Senadores envolvidos em corrupção
contra o Governo Dilma Rousseff. Golpe parlamentar, de caráter neoliberal,
anti-constitucional, tendencioso, nos moldes do pré-1964 vinga. Derrubada do
governo popular eleito em 2014. Onda de governos fascistas eleitos nas unidades
da federação. Governo policialesco de Alckmin em São Paulo. Paraná marcado pelo
massacre dos funcionários públicos em Curitiba sob as ordens do Governador
Campos Salles e do Secretário Fernando Francisquini. Política externa
brasileira voltada para os países do Terceiro Mundo que necessitam de
desenvolvimento econômico, solidarismo internacional. Tentativa reacionária de
intervenção por parte de parlamentares em mudanças de governo nos países
revolucionários da América do Sul.
2016 - Golpe
de Estado Parlamentar – Governo Interino usurpador – Este governo, que nos
poucos meses em que usurpou o Palácio do Planalto, já deu provas de que veio
para entregar o patrimônio nacional às empresas estrangeiras, cujos componentes
estão envolvidos nos esquemas de corrupção do país embora tenham posado de santos
o tempo todo, que está atacando os direitos dos trabalhadores, desdenhando das
questões sociais, tratando-as como casos de polícia, implementando sem
consultar a população reformas contra os trabalhadores (previdência) e contra a
Educação, reduzindo suas verbas e destruindo seu currículo, foi mentalizado
pelo Deputado Federal Eduardo Cunha tendo contado com o empenho do Juiz Sérgio
Fernando, dos promotores evangélicos e da banda podre do Congresso Nacional, a
maioria parlamentar cujos elementos integram a UDN nacional. Forte movimento
social pelo “Fora Temer”. Ministros envolvidos em escândalos. Alinhamento com
as nações centrais do capitalismo contemporâneo. Corte nas políticas públicas
que envolvem os pobres e necessitados.
Assinar:
Comentários (Atom)