quinta-feira, 31 de outubro de 2013

APOIO EM HISTÓRIA PARA PROFESSORES: Ditadura militar e guerrilha no Brasil

COMISSÃO DA VERDADE-RIO REVELA 
A FARSA DA CHACINA DE QUINTINO 
Um episódio ocorrido em 29 de março de 1972, quando três guerrilheiros da organização VAR-Palmares foram mortos por forças da repressão militar, foi detalhado nesta terça (29), em sessão da Comissão da Verdade do Rio (CEV-Rio) presidida pelo advogado Wadih Damous. Após pesquisas no Arquivo Público do estado e entrevistas com vizinhos de militantes do grupo, membros da comissão conseguiram reconstituir o episódio, que ficou conhecido como Chacina de Quintino, em referência ao bairro onde os guerrilheiros foram mortos.
“A farsa da ditatura [1964-1985] hoje cai. Os militantes não entraram em confronto com os militares. Foram sumariamente executados. Assim dizem as provas técnicas e os vizinhos, que relatam que não houve troca de tiros. Os tiros foram dentro da casa”, disse Wadih.
De acordo com a versão oficial dos militares, Antônio Marcos Pinto de Oliveira (1), Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo () e Lígia Maria Salgado Nóbrega (3) morreram durante uma troca de tiros com agentes do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) e do Destacamento de Operações de Informações-Centro de Operações de Defesa Interna do Exército (Doi-Codi).
A pesquisa histórica permitiu, porém, que os membros da comissão remontassem os fatos, mostrando que os jovens foram executados após sofrerem violência dentro da casa, que ficava na então Avenida Suburbana, 8.985, atual Avenida Dom Hélder Câmara. Na época, era comum integrantes de grupos políticos de resistência ao regime militar alugarem imóveis, denominados aparelhos, onde se refugiavam, mantinham suas atividades e produziam material de divulgação.
Entre os documentos fundamentais obtidos pela CEV-Rio, estão os laudos do Instituto Médico Legal (IML) e o depoimento do médico legista Valdecir Tagliare, que assinou a certidão de óbito das vítimas. Segundo a comissão, o médico atestou firmou que “os corpos eram jovens demais, [estavam] bem vestidos, [e eram] visivelmente de classe média”. Conforme o documento do legista, houve esmagamento total das mãos e parte dos braços, o que comprovaria os golpes causados “por armamento pesado”.
Diferentemente da versão oficial dos órgãos de segurança da época, de que houve troca de tiros, o que ocorreu foi uma ação unilateral, uma execução sumária de militantes da organização VAR-Palmares, afirmou Wadih Damous. "Os militantes foram executados. Uma delas, que estava grávida, saiu da casa com as mãos na cabeça e foi sumariamente executada. Pela primeira vez, uma Comissão da Verdade consegue, documentalmente e com base em testemunhos de vizinhos, desmontar essa farsa da ditadura”, disse ele.
Participaram da audiência pública parentes e amigos das vítimas, além de ex-integrantes de grupos que atuaram na clandestinidade durante a ditadura, estudantes e defensores dos direitos humanos. Irmãos e filhos dos militantes deram depoimentos sobre eles. De manhã, alguns deles foram ao local da chacina, onde acenderam velas e rezaram pelos mortos.(ABr)


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O dia dos professores de minha vida - parte 1

No dia 14 de outubro de 2013, no Restaurante Comida Bem Caseira, ganhei um "feliz dia do Professor".
Tem uma menininha, de uns 6 anos, que ao passar por mim, diz para sua mãe, "olhe o "PRE-FESSOR". A vizinha queria reclamar das árvores do meu jardim, na divisa com ela, me chamou na rua,  "Professor, podemos conversar um pouco sobre a sua árvore? Estou com medo dela". Quando estive no Rio de Janeiro, em 1993, na casa de Nelson Werneck Sodré, já tendo escrito diversas cartas para ele, repeti as perguntas ao vivo. O General Professor disse a mim e ao Professor Pedro Ferreira de Freitas, "olha, essas mesmas perguntas um professor de sua cidade tem me feito". Era eu mesmo... hehehehe!!!!

Tenho uma devoção aos professores que tive e insisto com a memória para não esquecê-los. Os dos primeiros cinco anos foram marcantes. Fui alfabetizado por Dona Nadir de Mattos Cardoso, de quem herdei a caligrafia. Ela tinha sido também professora de minha mãe. Era uma senhora de estatura baixa, 1,65m talvez, mãe de vários filhos. Seu marido, Antônio Cardoso tinha um bigodão e trabalhava, acho que na lavoura. Curiosidade de criança, eu ficava imaginando como uma professora podia ser esposa de um homem não professor. Era enérgica. Era desagradável não prestar a atenção ou não fazer as tarefas. Dona Nadir tinha uma auxiliar, a Professora Marlene, jovem e bonita. Mesmo em nossa idade, ficávamos sonhando em namorar a professora. Fui alfabetizado nas antigas cartilhas silábicas. Lembro bem dos cartazes, no centro do quadro negro, naquela época, negro mesmo, com as frases "Eva viu a uva". Depois, na faculdade fui saber das críticas dos educadores para esse tipo de aprendizagem, mas foi nele que eu aprendi. Mas, a cartilha foi detalhe. Dona Nadir gostava de alfabetizar e para todas as séries havia rodízio de professores durante os anos, menos na primeira. Fui para o segundo ano gostando de ler. No segundo e quarto anos, fui aluno da Professora Anna Celuzniak Woyciechowski, mãe do falecido Vereador Geraldo. Polonesa rigorosa, não deixava para menos qualquer sinal de bagunça, mas era apaixonada pela sala de aula. Deixava-me perguntar e me dava castiguinhos quando eu não acertava a resolução dos problemas de Aritmética. Dona Anna dava mais atenção à leitura silenciosa. Com ela nosso livro oficial era o "Vamos estudar" de Theobaldo Miranda Santos, outro autor que foi importante na minha trajetória de leitor.  Como sempre que encontrava meus pais, ela elogiava minha participação na sala de aula, eu procurava me desempenhar mais. Eu olhava para Dona Anna e queria ser professor primário, exatamente como ela era. No terceiro ano, Dona Ivani Mendes Machado foi designada pela Professora Lúcia Schafranski Werner, nossa professora. Por ser parente do meu padrasto, portanto, sempre a visitávamos, fiquei desconfortável e com medo de ser entregue por ela. Se isso acontecesse seria surra na certa. Nessa época, o rádio era importantíssimo para quem vivia na roça como pequeno agricultor. Quando nossas mães ficavam em casa, escutavam programas voltados para música rural, educação de filhos e as famosas radionovelas, das quais, me tornei seguidor junto com minha mãe. Bem, a noite fechávamos a casa e o rádio ficava ligado na "Voz do Brasil", não sendo atoa que continuo adepto dele e que tenha influenciado parte da minha formação moral e política naquela fase. Depois da "Voz" seguia o "Projeto Minerva", ao qual eu escutava com caderno e caneta na mão, anotando. Contei para Dona Ivone minhas afeições ao Projeto Minerva. Esta, imediatamente, me arrumou alguns fascículos que permitiam acompanhar o programa no rádio. Meus primeiros professores me davam livros. E não foram os únicos que ganhei de Dona Ivone. Guardo até agora e em lugar especial estes volumes.  A  5ª série foi com a Professora Roseli Belz que enfatizava os chamados Estudos Sociais, nome pelo qual o regime militar substitua e diminuía o lugar da História no currículo. Estou convicto que  para um regime que desprezava a sofrida e discriminada população brasileira, era importante torcer e esconder os fatos históricos que marcaram a história do povo brasileiro. Dona Rose arriscava-se a dizer e desdizer afirmações consagradas nos livros didáticos oficiais. Professora rígida, enérgica, que só perdia na rigidez para a Diretora da escola, Dona Rose me estimulava, sabendo que eu lia muito em casa, fazendo-me perguntas o tempo todo na sala de aula. A coisa mais gratificante foi, tempos depois, frequentar a casa da própria professora e manter com ela ainda, salutar amizade.
Aquela era uma fase. Tinha que passar. Quando chegou o momento em que devia entrar para o Ginásio, em momentos de reforma educacional proposto pelo regime dos Generais, nós, alunos de uma comunidade rural, viríamos para a cidade estudar e seríamos distribuídos nos diferentes colégios de Ponta Grossa. A direção da escola era quem nos matriculava. Para mim escolheram o Colégio Estadual Regente Feijó, considerado colégio padrão na formação, no preparo para a faculdade e pelo padrão moral na disciplina.

Nos anos seguintes, não me esqueço da Professora Alice Ribeiro, de Estudos Sociais, no Colégio Regente Feijó, Renato de Matemática e do Professor Amilton Alessi.

Na vida universitária, devo minha formação à Professora Carmencita de Holleben Mello Ditzel, Jeferson Mainardes e Ivan Meneguzzo.

Mas tive professores mundo a fora, uns que me ensinaram à distância, Israel de Lima, Davi Nunes dos Santos, Daniel Canfield, John Canfield, Renata Naschtigal, Edmund Spekier, Victor Arndt, Rudolf Friesen, Israel Carlos Biork, Clarence Antrhrum Nickell, Neal Marion Smith. Com todos aprendi o desejo e a importância de estudar, ler, escrever e disseminar a cultura solidária e capaz de transformar o caráter do ser humano.

Não recordo de nenhum professor reclamando do salário, chamando seus alunos de demônios. Contávamos nos dedos as faltas dos que nos ensinavam. Eram pessoas que as víamos nas ruas da vila, que encontrávamos nos armazéns. A aula começava as oito horas e terminava ao meio dia, mas com conteúdo, atividades práticas em sala e muita tarefa.