segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O dia dos professores de minha vida - parte 1

No dia 14 de outubro de 2013, no Restaurante Comida Bem Caseira, ganhei um "feliz dia do Professor".
Tem uma menininha, de uns 6 anos, que ao passar por mim, diz para sua mãe, "olhe o "PRE-FESSOR". A vizinha queria reclamar das árvores do meu jardim, na divisa com ela, me chamou na rua,  "Professor, podemos conversar um pouco sobre a sua árvore? Estou com medo dela". Quando estive no Rio de Janeiro, em 1993, na casa de Nelson Werneck Sodré, já tendo escrito diversas cartas para ele, repeti as perguntas ao vivo. O General Professor disse a mim e ao Professor Pedro Ferreira de Freitas, "olha, essas mesmas perguntas um professor de sua cidade tem me feito". Era eu mesmo... hehehehe!!!!

Tenho uma devoção aos professores que tive e insisto com a memória para não esquecê-los. Os dos primeiros cinco anos foram marcantes. Fui alfabetizado por Dona Nadir de Mattos Cardoso, de quem herdei a caligrafia. Ela tinha sido também professora de minha mãe. Era uma senhora de estatura baixa, 1,65m talvez, mãe de vários filhos. Seu marido, Antônio Cardoso tinha um bigodão e trabalhava, acho que na lavoura. Curiosidade de criança, eu ficava imaginando como uma professora podia ser esposa de um homem não professor. Era enérgica. Era desagradável não prestar a atenção ou não fazer as tarefas. Dona Nadir tinha uma auxiliar, a Professora Marlene, jovem e bonita. Mesmo em nossa idade, ficávamos sonhando em namorar a professora. Fui alfabetizado nas antigas cartilhas silábicas. Lembro bem dos cartazes, no centro do quadro negro, naquela época, negro mesmo, com as frases "Eva viu a uva". Depois, na faculdade fui saber das críticas dos educadores para esse tipo de aprendizagem, mas foi nele que eu aprendi. Mas, a cartilha foi detalhe. Dona Nadir gostava de alfabetizar e para todas as séries havia rodízio de professores durante os anos, menos na primeira. Fui para o segundo ano gostando de ler. No segundo e quarto anos, fui aluno da Professora Anna Celuzniak Woyciechowski, mãe do falecido Vereador Geraldo. Polonesa rigorosa, não deixava para menos qualquer sinal de bagunça, mas era apaixonada pela sala de aula. Deixava-me perguntar e me dava castiguinhos quando eu não acertava a resolução dos problemas de Aritmética. Dona Anna dava mais atenção à leitura silenciosa. Com ela nosso livro oficial era o "Vamos estudar" de Theobaldo Miranda Santos, outro autor que foi importante na minha trajetória de leitor.  Como sempre que encontrava meus pais, ela elogiava minha participação na sala de aula, eu procurava me desempenhar mais. Eu olhava para Dona Anna e queria ser professor primário, exatamente como ela era. No terceiro ano, Dona Ivani Mendes Machado foi designada pela Professora Lúcia Schafranski Werner, nossa professora. Por ser parente do meu padrasto, portanto, sempre a visitávamos, fiquei desconfortável e com medo de ser entregue por ela. Se isso acontecesse seria surra na certa. Nessa época, o rádio era importantíssimo para quem vivia na roça como pequeno agricultor. Quando nossas mães ficavam em casa, escutavam programas voltados para música rural, educação de filhos e as famosas radionovelas, das quais, me tornei seguidor junto com minha mãe. Bem, a noite fechávamos a casa e o rádio ficava ligado na "Voz do Brasil", não sendo atoa que continuo adepto dele e que tenha influenciado parte da minha formação moral e política naquela fase. Depois da "Voz" seguia o "Projeto Minerva", ao qual eu escutava com caderno e caneta na mão, anotando. Contei para Dona Ivone minhas afeições ao Projeto Minerva. Esta, imediatamente, me arrumou alguns fascículos que permitiam acompanhar o programa no rádio. Meus primeiros professores me davam livros. E não foram os únicos que ganhei de Dona Ivone. Guardo até agora e em lugar especial estes volumes.  A  5ª série foi com a Professora Roseli Belz que enfatizava os chamados Estudos Sociais, nome pelo qual o regime militar substitua e diminuía o lugar da História no currículo. Estou convicto que  para um regime que desprezava a sofrida e discriminada população brasileira, era importante torcer e esconder os fatos históricos que marcaram a história do povo brasileiro. Dona Rose arriscava-se a dizer e desdizer afirmações consagradas nos livros didáticos oficiais. Professora rígida, enérgica, que só perdia na rigidez para a Diretora da escola, Dona Rose me estimulava, sabendo que eu lia muito em casa, fazendo-me perguntas o tempo todo na sala de aula. A coisa mais gratificante foi, tempos depois, frequentar a casa da própria professora e manter com ela ainda, salutar amizade.
Aquela era uma fase. Tinha que passar. Quando chegou o momento em que devia entrar para o Ginásio, em momentos de reforma educacional proposto pelo regime dos Generais, nós, alunos de uma comunidade rural, viríamos para a cidade estudar e seríamos distribuídos nos diferentes colégios de Ponta Grossa. A direção da escola era quem nos matriculava. Para mim escolheram o Colégio Estadual Regente Feijó, considerado colégio padrão na formação, no preparo para a faculdade e pelo padrão moral na disciplina.

Nos anos seguintes, não me esqueço da Professora Alice Ribeiro, de Estudos Sociais, no Colégio Regente Feijó, Renato de Matemática e do Professor Amilton Alessi.

Na vida universitária, devo minha formação à Professora Carmencita de Holleben Mello Ditzel, Jeferson Mainardes e Ivan Meneguzzo.

Mas tive professores mundo a fora, uns que me ensinaram à distância, Israel de Lima, Davi Nunes dos Santos, Daniel Canfield, John Canfield, Renata Naschtigal, Edmund Spekier, Victor Arndt, Rudolf Friesen, Israel Carlos Biork, Clarence Antrhrum Nickell, Neal Marion Smith. Com todos aprendi o desejo e a importância de estudar, ler, escrever e disseminar a cultura solidária e capaz de transformar o caráter do ser humano.

Não recordo de nenhum professor reclamando do salário, chamando seus alunos de demônios. Contávamos nos dedos as faltas dos que nos ensinavam. Eram pessoas que as víamos nas ruas da vila, que encontrávamos nos armazéns. A aula começava as oito horas e terminava ao meio dia, mas com conteúdo, atividades práticas em sala e muita tarefa.

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