Jamais duvidei do papel de uma família que acompanha e segue os passos dos filhos na caminhada dos estudos, que acredita no valor da aquisições de conhecimentos melhores elaborados, dos quais as crianças necessitarão para se desenvolverem, de forma sadia, no futuro. Em nossos dias precisamos resgatar o papel dos familiares todos, avós, pais, tios, primos, irmãos na educação das crianças. A primeira responsabilidade fica marcada quando decidimos ter filhos sabendo que podemos oferecer nossa participação e sacrifício na sua escolarização. Filhos devem ser esperados, como também nesse planejamento, seu ingresso numa boa escola, boas leituras. A saúde de uma criança deve ser esperada, não apenas em seus aspectos fisiológicos, mas intelectuais também. Na prática, isso implica em que pais e mães vão ter que reestudar os conteúdos que deixaram formalmente anos atrás, estudando todas as matérias da escola com os seus filhos, procurando entender o que se está no programa escolar, para ajudar as crianças em suas dificuldades.
Os pais devem, diariamente, verificar as tarefas que chegaram da escola, o nível de facilidade ou dificuldade que apresentarem, oportunizarem aos filhos o acesso aos instrumentos de pesquisa, como bons livros, programas educativos e assessoria intelectual.
Não há o que justifique o descaso dos pais com os filhos na hora de fazer suas tarefas, enviando-os para a rua, para a televisão, para as más companhias ou para as drogas midiáticas que o mercado oferece as crianças. Os pais que compram mais instrumentos de diversão tecnológica que livros, que permitem aos filhos frequentarem mais as ruas ou as casas dos vizinhos, que uma biblioteca, uma boa mesa de estudos, a averiguação da tarefa feita, praticam, na verdade, a maior irresponsabilidade com o futuro da criança.
Fui criado pela avó materna, mãe e padrasto. Eles davam muito valor a escola, aos estudos e me recordavam sempre, do cuidado com meu futuro. Minha avó lamentava o tempo todo o fato de não ter podido ir à escola, porque seu pai considerava escola uma coisa desnecessária para os filhos. Para ele, a verdadeira escola era a enxada e a foice. Implorava que essa não fosse a minha experiência. Minha mãe falava das dificuldades para sua vida, do árduo trabalho da lavoura, das dificuldades de vida de alguém com pobre alfabetização para melhorar na vida. Meu padrasto, não levara os estudos adiante, mas guardava com orgulho os bons livros didáticos aquele tempo. Exaltava a memória dos seus ex-professores. Ainda guardo o livro de Matemática, que ele usou na 4a. série, que correspondia ao meu de 8º ano.
O trabalho braçal fez parte da minha vida. E foi um aprendizado útil e que livrava a mim e aos meus colegas do interior, das loucuras e violências comuns dos nossos dias. Estudar e trabalhar faziam parte dos deveres dos jovens. Sempre chegava em casa, em tempo de cumprir as tarefas trazidas da escola. Minha mãe, com sacrifício, comprava os livros didáticos para mim. Já naquele tempo o material era caro demais. Estudava em escola pública e dela recebia livros, cadernos e uniforme. Além disso pessoas, como Didi Doná me ajudaram muito. De Dona Didi eu recebia uniforme e material escolar e a minha primeira participação num jornal, quando a sucursal de "O Estado do Paraná", cujo representante, se não estou enganado, Osni Gomes, publicou matéria a respeito de uma carta que eu escrevera ao Governador Jaime Canet Júnior e que mexera com as autoridades e políticos da cidade. Esse feliz incidente me provocaria, mais tarde, a paixão de escrever em jornais.
Os professores que tive, naquele tempo, existiam professores que realmente não se arrependiam da profissão. Nunca ouvi de nenhum os meus primeiros professores qualquer lamentação por serem professores. Davam boas aulas, não faltavam, apesar da rigidez nas aulas. Deles recebi de presente, livros, revistas, artigos e assinatura de jornal. A Diretora da Escola, Professora Lúcia Schafranski Werner me deu uma assinatura do Diário dos Campos, editado na época, na Rua Santos Dumont, próximo do atual HSBC. Recordo-me das boas mestras que me iniciaram na leitura e na escrita, Nadir de Mattos Leão Cardoso, Marlene, Ana Celusniak Woyciechovski, Evani Mendes Machado, Elza Mendes e Roseli Belz.
No Colégio Estadual Regente Feijó, fui aluno de professores que sabiam cativar e incentivar estudantes a se tornarem dedicados às letras e a cultura. Fui aluno de Alice Ribeiro, Amilton Alessi, Tereza Sowek, Maria Aparecida César Gonçalves, Virgilia, Nair Stronberg e Ruth Moreira
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